ORecorte

Espaço destinado a pequenas observações mundanas, reflexões um tanto quanto sérias (?!), outras insanas, retóricas e divagações teórico/práticas, de Freud a Lacan, de onze às duas. O que será dito aqui pode ser absurdamente verídico, como, também, pode não ser. Porque o todo, dizem, é um complexo da soma das partes. Então, vamos de ORecorte.

Friday, February 09, 2007

Fenomenologia da coisa em si

Eu vivo sendo queimando por aí. Alguns brothers meus ainda não se queimaram, mas, fatalmente, tamanha a finitude da existência e da vida terrena, acabarão se queimando também.

Às vezes me pergunto se existe vida pós queimação.
Penso até em acender um cigarro para refletir sobre, mas homicídio, para mim, é crime imperdoável e, no mínimo, acachapante e nada romântico. Normalmente eu sou lembrado em algum momento necessário de intervenção junto a algo (ou até alguém!). Em termos de antecedentes de comportamento, considero que eu mato a fome, acalmo o espírito, passo a perna no frio... Fico com a cabeça quente só em pensar que vou ser usado em algum momento. Mas, assim se configura minha vida: sou criado sozinho, acabo morando com vários irmãos presos dentro de um pequeno quadrilátero de madeira, sem luxo algum, até chegar o momento em que seremos , infelizmente, queimados pela vida. Assim eu vivo. E morro. Ah, esqueci de me apresentar, "como sou esquecido": sou o fósforo.