ORecorte

Espaço destinado a pequenas observações mundanas, reflexões um tanto quanto sérias (?!), outras insanas, retóricas e divagações teórico/práticas, de Freud a Lacan, de onze às duas. O que será dito aqui pode ser absurdamente verídico, como, também, pode não ser. Porque o todo, dizem, é um complexo da soma das partes. Então, vamos de ORecorte.

Tuesday, February 21, 2006

Já percebeu?

Hoje, ao entrar em um elevador, vi a seguinte placa: "Antes de entrar verifique se o elevador encontra-se parado neste andar"... Daí pensei: quando que nós tentaríamos entrar no elevador se ele não estivesse parado no andar? Tem algum jeito de entrar no elevador em movimento? Alguém já entrou em um elevador que não estivesse parado no andar? E por que isto viraria uma lei federal, como dizia a placa?

Thursday, February 16, 2006

Persicolatria, a Série

Naquela segunda-feira pela manhã nosso (não tanto) amigo persicoólatra está bem animado. "Nossa, minha pulsão de vida hoje tá frenética!! Xô pulsão de morte, xô", pensava ele. Traços de homossexualismo eram comuns no persicoólatra, mas ele negava até a última garrafa ("eeeeuuu??? Má nuuuunca"). Ele havia acompanhado "o grande espectro filtrador da aura da vida", segundo ele, na noite anterior. Tudo isto porque ele tinha assistido ao Big Brother Brasil, e torcia para a Crucruzete ser indicada ao paredão junto à Deuszisdete (o paredão é um local que não existe, assim como as comunidades do orkut, que não existem, mas estão lá, aonde 2 pessoas supostamente se enfrentam pela preferência e boa vontade dos diretores da Rede Globo e dos cultos telespectadores do programa, tal como o exasperado persicoólatra). Chegando ao consultório sua primeira sirigaita desconsolada (assim ele tratava suas pacientes, clientes, o que for!) era uma ricaça. Ele se esforçava no "tratamento super gostosinho" dela, como ele mesmo se referia:
(Ela)- Mas eu tô numa maré de azar, sei lá doutor...
(Ele)- Linda, minha linda, você é uma pessoa que tem uma aura divina, você se ilumina, você chega e parece que uma canção começa a tocar
(Ela)- Ai, doutor, o senhor só fala isso para me agradar, não sei, mas eu tô sentindo um aperto aqui dentro ó, acho que é o Pasleminho...
(Ele)- Ah, mas de novo seu marido, minha aura, de novo ele, aquele ingrato, insensível... (ele lembrou da projeção e resolveu ficar quieto. Era o que ele tinha anotado em seu precioso caderno, "ficar quietinho na projeção, senão eu é que vou virar objeto de desejo dos doidinhos que vou pegar")
(Ela)- É mesmo, doutor, acho que vou por um fim nisso, sei lá...
(Ele)- Isso, querida, isso, termina logo com ele, separa, desencrava, puxa a âncora, sei lá o que mais, vai ser melhor, lindinha...
(Ela)- Pois é, mas eu tenho tanta coisa com ele, construí tanta coisa com ele, dependo dele em tantas coisas...
(Ele)- Que depender o que, minha alma, você não depende de nada, você é muito livre, muito sexy, muito purpurinada, muito isso tudo, linda...
(Ela)- Minha casa, meu filho, minhas roupas...
(Ele)- Linda, isso passa, isso você consegue com essa sua fibrinha, sua vontadezinha, você é raçuda, sabia?!
(Ela)- minhas contas, meus..
(Ele, interrompendo, com "dor de consciência")- Ih, querida, ó, muda o foco, muda o foco, termina nada, termina nada, sabe, vi aqui que hoje é lua cheia e você tá com a pá virada, termina nada, santa...

Saturday, February 11, 2006

Sobre falas e o falar...

Não mais me dirigirei a vossa senhoria utilizando jargões e expressões tradicionais, ditas dos homens mais incalcos e plenamente cultos. Nem mesmo vou usar um lance meio esquisito na hora em que eu for te dar umas idéias sobre algumas paradas por aí, sacou meu brou?! Posto que a linguagem é tão diversa quanto frutífera, não me deterei somente em sentenças forçosas ao clássico, tá ligado nas 'idéia', maluco?

Thursday, February 09, 2006

Persicolatria, a Origem

Indagado sobre as origens do nosso amigo persicoólatra, seguem informações que serão úteis para compreender seus métodos e práticas de intervenção um tanto quanto "diferenciadas". Pra começar, a Persicolatria é um ramo improvisado pelo nosso persicoólatra, ramo este da Psicologia, segundo ele. Na verdade, o persicoólatra passou o curso inteiro achando que não precisaria estudar Psicologia para clinicar. Decididamente não! Queria mesmo era ir fundo no Seu Freud, desde o primeiro semestre (embora nunca tenha lido um livro inteiro sequer de Freud, era chato, dizia ele)...Seu interesse, desde os tempos que assitia "Márcia" no SBT, à espera da aula, era aconselhar pessoas: "mais caramba, que mulher maravilhosa essa na TV, como ela anda, como ela fala, que maestria..." (segue...)

Monday, February 06, 2006

Filosofia de Butecão

Pensamento fundamentalmente capitalista (e existencialista?! moralista?! suprapartidarista?!):
"Se comprar, como dizem, é uma terapia, seria o carrinho de compras o divã?"
Essa é especial para o nosso (não muito) querido persicoólátra...

Thursday, February 02, 2006

So strange...

Como é estranho observar as estranhezas do mundo! Tem gente que se veste estranho, gente que bebe coisas estranhas, que fuma, que anda estranhamente, que curte sons estranhos, posições estranhas...Gente que fala coisas estranhas, sonham coisas estranhas, reagem a coisas de forma estranha, têm profissões e afazeres estranhos. Um minuto, às vezes, é estranho, um tempo é estranho, mesmo um lugar é estranho, até mesmo um sentimento é estranho! Às vezes, por sua estranheza, você não encontra lugar...Escrever sobre isto é estranho, e mais estranho ainda é notar que a estranheza esbarra, na verdade, em uma suposta normalidade instituída, em que o estranho briga, ferozmente, com o supostamente normal, comum. Até a SuperInteressante se rendeu e traz revistas com o título Mundo Estranho! Bizarro isso, né?!

Wednesday, February 01, 2006

Persicolatria, A Série

Desabafo de um adolescente agora assassino:
- "pô, aí eu vi o cara na rua, vi que o tênis dele era manêro demais, não tenho um desses, daí resolvi pegar o cara, mas o brou reagiu, meu..."
Interpretose do nosso persicóolotra, seguidor fiel do analista de Bagé:
- "hum...sei...identificação, projeção, passagem ao ato, sei, tá ficando bom, tá ficando bom...meus livros estão mesmo certos, é, mesmo certos..."