Fenomenologia da coisa em si
Eu vivo sendo queimando por aí. Alguns brothers meus ainda não se queimaram, mas, fatalmente, tamanha a finitude da existência e da vida terrena, acabarão se queimando também.
Às vezes me pergunto se existe vida pós queimação.
Penso até em acender um cigarro para refletir sobre, mas homicídio, para mim, é crime imperdoável e, no mínimo, acachapante e nada romântico. Normalmente eu sou lembrado em algum momento necessário de intervenção junto a algo (ou até alguém!). Em termos de antecedentes de comportamento, considero que eu mato a fome, acalmo o espírito, passo a perna no frio... Fico com a cabeça quente só em pensar que vou ser usado em algum momento. Mas, assim se configura minha vida: sou criado sozinho, acabo morando com vários irmãos presos dentro de um pequeno quadrilátero de madeira, sem luxo algum, até chegar o momento em que seremos , infelizmente, queimados pela vida. Assim eu vivo. E morro. Ah, esqueci de me apresentar, "como sou esquecido": sou o fósforo.

1 Comments:
pô, eu tava quase chorando de emoção... :D
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