ORecorte

Espaço destinado a pequenas observações mundanas, reflexões um tanto quanto sérias (?!), outras insanas, retóricas e divagações teórico/práticas, de Freud a Lacan, de onze às duas. O que será dito aqui pode ser absurdamente verídico, como, também, pode não ser. Porque o todo, dizem, é um complexo da soma das partes. Então, vamos de ORecorte.

Sunday, August 17, 2008

Epistemologia da coisa em si, Parte XIX

Eu te perturbo. Vivo lado a lado com você, diuturnamente. Por vezes vejo você tentando me evitar, há pessoas que vivem todo segundo da sua vida locupretando-se para não se encontrarem comigo. Planejam-se, esmeram-se, gastam toda a energia opondo-se ao meu encontro. Gosto disso, roubo a cena quando apareço. Sou capaz de dinamitar sua vida. Pessoal, profissional, e qualquer outra esfera imaginável. Eu te persigo. Quando te encontro posso te representar possibilidades incríveis, mas que normalmente você não percebe, pois está muito preocupado(a) em tentar encontrar uma vacina que cure o efeito da minha ação.
Curiosamente tem gente que insiste em me procurar, não me dá sossego, não consigo relaxar, veja só!? Tem gente que me procura esporadicamente mas, também curiosamente, me procuram com intenção, com uma motivação por trás. Às vezes mascado o medo, a apatia, a inércia ou inoperância.
Às vezes mascaro a inveja, mascaro o ciúme ou mesmo a incompetência, mas não uma incompetência de não-saber, mas sim uma incompetência de não-querer, de viver pela destruição de outrem, coisa ou pessoa... Louco isso, não? Fatalmente vamos nos topar. E quando isso acontecer saiba que, como sou o erro, posso representar tudo aquilo que a perdição pode lhe trazer, ou mesmo, se você souber o que fazer comigo, posso ser o início da tua redenção...