ORecorte

Espaço destinado a pequenas observações mundanas, reflexões um tanto quanto sérias (?!), outras insanas, retóricas e divagações teórico/práticas, de Freud a Lacan, de onze às duas. O que será dito aqui pode ser absurdamente verídico, como, também, pode não ser. Porque o todo, dizem, é um complexo da soma das partes. Então, vamos de ORecorte.

Thursday, October 08, 2009

Definições e suas definiçoes - Parte I

- Defina-me o incompreensível.
- Hein?
- Defina-me o incompreensível.
- Bom... É algo que ninguém compreende.
- Como?
- Isso mesmo, uai, é qualquer coisa que ninguém compreende. Daí o nome.
- Hum... Vem cá.... Quem avalia que não dá para compreender?
- Quem? Ué, qualquer um...
- Mas como esse qualquer um sabe que não é compreensível?
- Hein?
- Se ele julga que não é compreensível, como ele sabe que não é compreensível, o que ele faz para saber?
- Ah sim! Simples, cara: ele não encontra nenhuma razão, nenhum motivo, nada que justifique aquilo. Por isso ele classifica como incompreensível.
- Hum... Sério???
- É.
- Estranho... O que ele, então, não consegue explicar, digamos assim, ele não consegue dar uma razão, sei lá, a pessoa classifica como incompreensível?
- Bom.. É.. A grosso modo é...
- Mas julgar como incompreensível já não é uma tentativa de compreender isso? De compreender isso que ele não sabe, compreender o incompreensível??
- Mas ele não compreende aquilo, ele apenas classifica como algo que ele não entende, daí o valor incompreensível da coisa, sacou? É como se ele não se envolvesse naquilo, por isso não compreende...
- Opa.
- O que foi?
- Mas um cara que tem um sentimento por alguém, que ele sabe o que significa esse sentimento para ele, por que razão ele pode tentar ignorar isso e classificar como incompreensível? Ou mesmo se a pessoa a qual ele gosta o nega, ele pode classificar como incompreensível essa atitude dela. É incompreensível por que essa pessoa não aceita?? É isso??
- Não não, você está confundindo... Aí não é incompreensão não, pelo contrário, ele compreende muito bem... Aí são outros fatores, como medo, angústia, dúvida, ansiedade, outra coisa...
- Hum....
- O que??
- Eu te amo.
- Hum? Como?
- Eu te amo.
- O que é isso, cara!?! Como assim??? Que papo é esse?
- É isso mesmo que você ouviu: te amo, te amo, te amo!
- Hum....
- O que foi?
- Nada...
- Fala.
- Sei lá, é que de repente fez sentido. Vamos ali, vamos tomar um café, vamos filosofar sobre a vida... Vem.

Thursday, October 01, 2009

Epistemologia da Coisa em Si - Parte XX

Normalmente convivo com você. Meu papel é mais super-egóico (para quem não teve aulas com o Persicólogo e não entende, é a funcionalidade do "freio de mão do carro") do que IDóico ("ah, se não existissem roupas nem cultura nem religiões..."). Algumas pessoas fazem tanta questão de conviver comigo, que até estranho. É uma necessidade, uma falta de vontade de ser, que realmente fico até incomodada. Tenho, por hábito, a mania de te levar sempre ao questionamento, para algumas pessoas, até sou inoportuna. Para outras, simplesmente não existo. Gosto dessas pessoas. Se bem que já salvei muita gente encafifando suas mentes, esfacelando, principalmente, o lado direito de seu cérebro. Ando notando que convivo muito, na verdade, com as emoções, três vivas ao meu sistema favorito, o límbico! Adoro ele. Pode até ser que eu resido ali. Pode ser que o lado esquerdo do cérebro me use mais. Romanticamente, torço para o lado direito! Racionalmente, pelo lado esquerdo. Não se preocupe em me entender, pois já convivemos antes, na sua vida. Já te acompanhei entusiasticamente. Como sou a dúvida, a única certeza que você tem é que nunca sabes se tomou a decisão mais correta na vida... Quando me apresentam, me introduzo como "e se..." Ou seja, uma das únicas certezas da sua vida, além dos impostos, sou eu, a dúvida...