ORecorte

Espaço destinado a pequenas observações mundanas, reflexões um tanto quanto sérias (?!), outras insanas, retóricas e divagações teórico/práticas, de Freud a Lacan, de onze às duas. O que será dito aqui pode ser absurdamente verídico, como, também, pode não ser. Porque o todo, dizem, é um complexo da soma das partes. Então, vamos de ORecorte.

Thursday, March 22, 2007

Fenomenologia da coisa em si - Parte 3

Sempre oscilo, vario. Numa hora estou bem, noutra fico mal. Tem dias em que insisto em me fechar, noutros insisto em puxar papo. Algumas vezes sou afoito, outras espero mais. Mais veloz, menos veloz. Algumas instabilidade, outras pareço uma rocha. Dias de sol, dias de chuva. Me sinto em constante metamoforse, ou será que já estou pronto e decidido em tudo? Tem horas que eu te odeio, tem horas que você me é a coisa mais importante da galáxia. Há momentos de sabedoria extrema, outros de completa burrice. Ora coerente com meus pensamentos, ora contraditório com tudo aquilo que eu disse antes. Uns dias patético, noutros ativo. Num dia a natureza me interessa, noutros eu quero que a camada de ozônio se exploda. Num radiante de alegria, noutro insosso como o mais bem preparado caldinho de chuchu. Num dia o herói, noutro o bandido. Há vezes em que eu prefiro cheirar, noutros, o toque. Por isso acho que sou assim, ou quem sabe não? Sou o "sempre" inconstante...

Thursday, March 15, 2007

Fenomenologia da coisa em si - Parte 2

Sabe, às vezes fico impressionada como tem gente que gosta de mim, que não vive sem mim (até me musicam!). Me impressiona porque para a maioria das pessoas eu sou repugnada, muitos têm medo de mim, e tendo a ser evitada. Muita gente, quando vem me procurar, não está legal. Ou, por outro lado, olha que estranho: até está legal sim! Mas, por motivos que fazem das ciências da mente a grande paixão do século 21, mesmo saltitantes com a vida, insistem em me procurar. E tem gente que nem me conhece e diz me conhecer, hein?!?! Muito estranho... Tem também muita coisa que acontece e que está relacionada a mim, e acaba que eu chego para confrontar as pessoas. É isso mesmo: normalmente eu sou lembrada em situações de conflito, dilemas, de dias em que a vida parece perder o sentido, e lá vou eu para tentar dar sentido à vida novamente. Tem muita gente me procurando, ando muito atarefada, cheia de afazeres. Aliás, daqui há pouco chego por aí, tá, para uma visitinha rápida, ou mais demorada que seja. Importa é que nos toparemos, tomaremos psicotrópicos, fumaremos coisas, mas no fim você sempre me manda embora...Mas após os dias de sol, eu volto, te visito de novo, daí nos embriagaremos de novo, esqueceremos de novo, afinal, ser a tristeza não é tarefa simples não...