ORecorte

Espaço destinado a pequenas observações mundanas, reflexões um tanto quanto sérias (?!), outras insanas, retóricas e divagações teórico/práticas, de Freud a Lacan, de onze às duas. O que será dito aqui pode ser absurdamente verídico, como, também, pode não ser. Porque o todo, dizem, é um complexo da soma das partes. Então, vamos de ORecorte.

Thursday, February 16, 2006

Persicolatria, a Série

Naquela segunda-feira pela manhã nosso (não tanto) amigo persicoólatra está bem animado. "Nossa, minha pulsão de vida hoje tá frenética!! Xô pulsão de morte, xô", pensava ele. Traços de homossexualismo eram comuns no persicoólatra, mas ele negava até a última garrafa ("eeeeuuu??? Má nuuuunca"). Ele havia acompanhado "o grande espectro filtrador da aura da vida", segundo ele, na noite anterior. Tudo isto porque ele tinha assistido ao Big Brother Brasil, e torcia para a Crucruzete ser indicada ao paredão junto à Deuszisdete (o paredão é um local que não existe, assim como as comunidades do orkut, que não existem, mas estão lá, aonde 2 pessoas supostamente se enfrentam pela preferência e boa vontade dos diretores da Rede Globo e dos cultos telespectadores do programa, tal como o exasperado persicoólatra). Chegando ao consultório sua primeira sirigaita desconsolada (assim ele tratava suas pacientes, clientes, o que for!) era uma ricaça. Ele se esforçava no "tratamento super gostosinho" dela, como ele mesmo se referia:
(Ela)- Mas eu tô numa maré de azar, sei lá doutor...
(Ele)- Linda, minha linda, você é uma pessoa que tem uma aura divina, você se ilumina, você chega e parece que uma canção começa a tocar
(Ela)- Ai, doutor, o senhor só fala isso para me agradar, não sei, mas eu tô sentindo um aperto aqui dentro ó, acho que é o Pasleminho...
(Ele)- Ah, mas de novo seu marido, minha aura, de novo ele, aquele ingrato, insensível... (ele lembrou da projeção e resolveu ficar quieto. Era o que ele tinha anotado em seu precioso caderno, "ficar quietinho na projeção, senão eu é que vou virar objeto de desejo dos doidinhos que vou pegar")
(Ela)- É mesmo, doutor, acho que vou por um fim nisso, sei lá...
(Ele)- Isso, querida, isso, termina logo com ele, separa, desencrava, puxa a âncora, sei lá o que mais, vai ser melhor, lindinha...
(Ela)- Pois é, mas eu tenho tanta coisa com ele, construí tanta coisa com ele, dependo dele em tantas coisas...
(Ele)- Que depender o que, minha alma, você não depende de nada, você é muito livre, muito sexy, muito purpurinada, muito isso tudo, linda...
(Ela)- Minha casa, meu filho, minhas roupas...
(Ele)- Linda, isso passa, isso você consegue com essa sua fibrinha, sua vontadezinha, você é raçuda, sabia?!
(Ela)- minhas contas, meus..
(Ele, interrompendo, com "dor de consciência")- Ih, querida, ó, muda o foco, muda o foco, termina nada, termina nada, sabe, vi aqui que hoje é lua cheia e você tá com a pá virada, termina nada, santa...

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