Cachorro de rodoviária
Este post ficou me martelando nesta consciência eternamente bêbada e pueril há mais ou menos 3 anos, quando eu me encontrava em Marau/RS. Era uma segunda-feira insossa, meio do mês de Novembro, por volta das 23 horas. Estava eu na rodoviária de Marau, preparando-me para embarcar para Carazinho/RS, nestas viagens de trabalho que ainda insisto em poetizar. Chego na rodoviária e ela estava..fechada! Apenas eu me encontrava na rodoviária, esperando-a abrir sabe-se lá quando. Ou melhor, não era apenas eu, sozinho, havia um companheiro que me olhava de longe, possivelmente surpreso com aquele visitante ali, também esperando a rodoviária abrir: um cachorro. Fiquei sentado, de longe, observando-o, e ele também o fez. Ali, após aquela interação olho a olho com o cão, nós nos estudando, decorando nossos movimentos corporais, fiquei imaginando: tem dias que me sinto um cachorro de rodoviária. Tem dias que ando (me encontro) absurdamente reflexivo, na minha, dias em que não sinto a menor vontade de fazer nada, de não conversar com ninguém, de ficar apenas perambulando (mesmo sem sair de casa, ou do quarto) com meus pensamentos e emoções. Dias em que tudo parece contra, em que você não consegue corresponder às suas vontades, em que parece haver tempestade em noite enluarada, em que o simples ato de tentar interagir com alguém lhe faz um mal como você nunca viu antes. Dias assim, dias em que a vida parece que insiste em te dizer não, em que você se sente escurraçado pela vida, mesmo que nada de diferente esteja te acontecendo (a não ser a TPM das garotas..) São dias assim, de gelidão interna, de solidão intensa, dias de guerra, de frio, que surgem de repente e podem ficar, dias em que nem mesmo a rodoviária está aberta para um simples cafezinho...

1 Comments:
good, man. passei alguns dias assim. dias de cao em uma rodoviária...
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